Glicemia

Pré-diabetes: o que é e o que fazer

4 min de leitura

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Pré-diabetes é a glicemia acima do normal, mas ainda abaixo do diabetes. Veja os valores, quem deve fazer o exame e o que ajuda a reverter o quadro.

Pré-diabetes é quando a glicose no sangue está acima do normal, mas ainda não chega ao nível do diabetes tipo 2. Quase nunca dá sintomas. A boa notícia é que, para muita gente, o quadro é reversível: perder um pouco de peso, se mexer mais e ajustar a alimentação reduz bastante a chance de evoluir para diabetes.

Valores que definem o pré-diabetes

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Americana de Diabetes (ADA) usam os mesmos limites nestes três exames. Basta um dos exames abaixo nesta faixa, confirmado pelo médico:

  • Glicemia de jejum: 100 a 125 mg/dL (5,6 a 6,9 mmol/L) — a chamada glicemia de jejum alterada
  • Teste oral de tolerância à glicose (TOTG), 2 horas: 140 a 199 mg/dL (7,8 a 11,0 mmol/L) — a tolerância diminuída à glicose
  • Hemoglobina glicada (HbA1c): 5,7% a 6,4%

Acima dessas faixas já é diabetes, que também precisa de confirmação. Para entender o exame de média de três meses, veja a tabela de hemoglobina glicada. Para converter um valor entre mg/dL e mmol/L, use o conversor de glicemia.

Pré-diabetes dá sintomas?

Quase nunca. A glicose sobe aos poucos, sem aviso claro — por isso muita gente descobre o pré-diabetes por acaso, num check-up. Sede excessiva, urinar muito e visão embaçada costumam aparecer só quando a glicemia já está bem mais alta, na faixa do diabetes.

Um sinal que vale observar é a acantose nigricans: manchas escuras e de aspecto aveludado na pele do pescoço, das axilas ou das dobras. Ela costuma acompanhar a resistência à insulina e merece um exame de glicemia.

Quem deve fazer o exame

A ADA recomenda rastrear todos os adultos a partir dos 35 anos, e antes disso quem tem fatores de risco. A SBD também orienta o rastreamento em adultos com fatores de risco. Fale com o médico se você se encaixa em algum destes grupos:

  • Sobrepeso ou obesidade
  • Pai, mãe ou irmãos com diabetes tipo 2
  • Pressão alta ou colesterol alterado
  • Diabetes gestacional em uma gravidez anterior
  • Sedentarismo

A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada costumam ser pedidas na UBS ou em consulta de rotina; confirme na sua unidade como funciona o pedido.

O que ajuda a reverter o pré-diabetes

No estudo americano Diabetes Prevention Program (DPP), quem perdeu cerca de 7% do peso e fez pelo menos 150 minutos de atividade física por semana teve 58% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo de cerca de três anos. As medidas que mais contam:

  • Perder de 5% a 7% do peso: para quem pesa 90 kg, isso significa algo entre 4,5 e 6,3 kg
  • Somar pelo menos 150 minutos de atividade por semana, como 30 minutos de caminhada rápida em cinco dias
  • Cortar ou reduzir refrigerantes e sucos, inclusive os naturais — açúcar líquido sobe a glicemia rápido
  • Comer mais fibra: arroz integral no lugar do branco, feijão todo dia, verduras e fruta inteira
  • Dormir de sete a nove horas — sono curto piora a resistência à insulina
  • Parar de fumar — o cigarro também aumenta o risco

Não precisa abrir mão do prato brasileiro. Arroz com feijão continua cabendo na rotina; o que muda é a proporção — mais feijão e salada, menos arroz — e trocar o pão francês do café por uma opção com mais fibra de vez em quando. Pequenas mudanças mantidas valem mais que uma dieta radical abandonada.

Acompanhamento e quando o médico indica remédio

Quem tem pré-diabetes deve repetir os exames pelo menos uma vez por ano, para ver se a glicemia voltou ao normal ou começou a subir.

Em alguns casos o médico pode indicar metformina junto com as mudanças de estilo de vida. O remédio não substitui alimentação e atividade física — ele soma. Nunca comece nem pare um medicamento por conta própria.

Pré-diabetes tem volta

O diagnóstico assusta, mas chega antes do diabetes, quando ainda dá tempo de mudar o rumo. Muitas pessoas que ajustam a rotina voltam a ter glicemia normal nos exames seguintes. E adiar o diabetes por anos já protege coração, rins e olhos.

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Aviso médico: este conteúdo é informativo e educativo e não substitui orientação médica. Os critérios de diagnóstico e as metas são definidos pelo seu médico — converse sempre com um profissional de saúde qualificado antes de mudar seu tratamento.

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