Pré-diabetes é a glicemia acima do normal, mas ainda abaixo do diabetes. Veja os valores, quem deve fazer o exame e o que ajuda a reverter o quadro.
Pré-diabetes é quando a glicose no sangue está acima do normal, mas ainda não chega ao nível do diabetes tipo 2. Quase nunca dá sintomas. A boa notícia é que, para muita gente, o quadro é reversível: perder um pouco de peso, se mexer mais e ajustar a alimentação reduz bastante a chance de evoluir para diabetes.
Valores que definem o pré-diabetes
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Americana de Diabetes (ADA) usam os mesmos limites nestes três exames. Basta um dos exames abaixo nesta faixa, confirmado pelo médico:
- Glicemia de jejum: 100 a 125 mg/dL (5,6 a 6,9 mmol/L) — a chamada glicemia de jejum alterada
- Teste oral de tolerância à glicose (TOTG), 2 horas: 140 a 199 mg/dL (7,8 a 11,0 mmol/L) — a tolerância diminuída à glicose
- Hemoglobina glicada (HbA1c): 5,7% a 6,4%
Acima dessas faixas já é diabetes, que também precisa de confirmação. Para entender o exame de média de três meses, veja a tabela de hemoglobina glicada. Para converter um valor entre mg/dL e mmol/L, use o conversor de glicemia.
Pré-diabetes dá sintomas?
Quase nunca. A glicose sobe aos poucos, sem aviso claro — por isso muita gente descobre o pré-diabetes por acaso, num check-up. Sede excessiva, urinar muito e visão embaçada costumam aparecer só quando a glicemia já está bem mais alta, na faixa do diabetes.
Um sinal que vale observar é a acantose nigricans: manchas escuras e de aspecto aveludado na pele do pescoço, das axilas ou das dobras. Ela costuma acompanhar a resistência à insulina e merece um exame de glicemia.
Quem deve fazer o exame
A ADA recomenda rastrear todos os adultos a partir dos 35 anos, e antes disso quem tem fatores de risco. A SBD também orienta o rastreamento em adultos com fatores de risco. Fale com o médico se você se encaixa em algum destes grupos:
- Sobrepeso ou obesidade
- Pai, mãe ou irmãos com diabetes tipo 2
- Pressão alta ou colesterol alterado
- Diabetes gestacional em uma gravidez anterior
- Sedentarismo
A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada costumam ser pedidas na UBS ou em consulta de rotina; confirme na sua unidade como funciona o pedido.
O que ajuda a reverter o pré-diabetes
No estudo americano Diabetes Prevention Program (DPP), quem perdeu cerca de 7% do peso e fez pelo menos 150 minutos de atividade física por semana teve 58% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo de cerca de três anos. As medidas que mais contam:
- Perder de 5% a 7% do peso: para quem pesa 90 kg, isso significa algo entre 4,5 e 6,3 kg
- Somar pelo menos 150 minutos de atividade por semana, como 30 minutos de caminhada rápida em cinco dias
- Cortar ou reduzir refrigerantes e sucos, inclusive os naturais — açúcar líquido sobe a glicemia rápido
- Comer mais fibra: arroz integral no lugar do branco, feijão todo dia, verduras e fruta inteira
- Dormir de sete a nove horas — sono curto piora a resistência à insulina
- Parar de fumar — o cigarro também aumenta o risco
Não precisa abrir mão do prato brasileiro. Arroz com feijão continua cabendo na rotina; o que muda é a proporção — mais feijão e salada, menos arroz — e trocar o pão francês do café por uma opção com mais fibra de vez em quando. Pequenas mudanças mantidas valem mais que uma dieta radical abandonada.
Acompanhamento e quando o médico indica remédio
Quem tem pré-diabetes deve repetir os exames pelo menos uma vez por ano, para ver se a glicemia voltou ao normal ou começou a subir.
Em alguns casos o médico pode indicar metformina junto com as mudanças de estilo de vida. O remédio não substitui alimentação e atividade física — ele soma. Nunca comece nem pare um medicamento por conta própria.
Pré-diabetes tem volta
O diagnóstico assusta, mas chega antes do diabetes, quando ainda dá tempo de mudar o rumo. Muitas pessoas que ajustam a rotina voltam a ter glicemia normal nos exames seguintes. E adiar o diabetes por anos já protege coração, rins e olhos.
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Baixe o GlucolyAviso médico: este conteúdo é informativo e educativo e não substitui orientação médica. Os critérios de diagnóstico e as metas são definidos pelo seu médico — converse sempre com um profissional de saúde qualificado antes de mudar seu tratamento.
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